A água captada no Rio São Francisco passou a chegar diretamente à Estação de Tratamento de Água (ETA) Oviêdo Teixeira, em Nossa Senhora do Socorro, depois da conclusão de uma nova derivação implantada para reforçar a produção no município. A interligação foi concluída pela Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) no dia 3 de agosto, três meses após o início da sua execução, em maio.
Com investimento de R$ 15 milhões, a obra compreende cerca de 4,9 quilômetros de adutora de água bruta, construída com tubulação de 600 milímetros de diâmetro. A estrutura conecta o Sistema da Adutora do São Francisco diretamente à ETA e foi projetada para ampliar a capacidade de produção em até 360 litros por segundo, o equivalente a aproximadamente 1,3 milhão de litros de água por hora. Cerca de 160 mil moradores de Nossa Senhora do Socorro passaram a ser beneficiados com a intervenção.
Até então, parte importante da água encaminhada à Oviêdo Teixeira era proveniente de poços do Sistema Ibura e uma pequena quantidade do Rio São Francisco. Com a nova derivação, a estação passou a contar com uma entrada significativa de água do São Francisco, criando um blend que traz mais qualidade na água produzida e maior quantidade disponibilizada para a população.
Para o presidente da Deso, Luciano Goes, a obra atende a uma necessidade antiga de Nossa Senhora do Socorro e dá mais segurança à produção de água no município. “Essa era uma intervenção necessária e que hoje está efetivamente integrada ao nosso sistema. Passamos a contar com a água do São Francisco chegando diretamente à Oviêdo Teixeira, dando à estação melhores condições para produzir e atender o município de Nossa Senhora do Socorro. É uma obra que amplia nossa capacidade de produção de água tratada e, sobretudo, dá mais segurança à operação”, afirmou.
Moradora do bairro Guajará, a dona de casa Aldenice Freire lembra que a falta de água fazia parte da rotina da família. Segundo ela, havia períodos em que o fornecimento demorava dias para ser restabelecido, além de reclamações em relação à qualidade da água que chegava às torneiras. “Faltava água constantemente. Às vezes, a gente passava dias sem água e, quando chegava, tinha aquele gosto meio salobro. A esperança pra gente agora é que melhore, que a gente tenha uma água de qualidade e com mais frequência na torneira. Faz muita diferença para cuidar da casa, fazer a limpeza, cuidar das plantas”, relatou.
No bairro Piabeta, o estudante Francisco Soares Júnior também enfrentava os reflexos da irregularidade no fornecimento. Como estudava no período da tarde, ele conta que a falta de água nos horários de maior consumo interferia diretamente na sua rotina. “Tinha dia em que eu precisava ir para a escola e não tinha água nem para tomar banho e fazer a higiene pessoal. Às vezes, a gente também acabava voltando mais cedo porque faltava água na escola. Com essa água do São Francisco chegando agora, a expectativa é que isso melhore e que a gente tenha água com mais regularidade em casa e na escola”, contou.